quarta-feira, 15 de maio de 2013

TIREÓIDE E BÓCIO


A glândula tireóide tem a forma de um escudo. Comparável a uma borboleta, seu corpo esguio agarra-se à parte inferior da cartilagem tireoidiana que está sobre a laringe enquanto as asas da borboleta, os dois lobos da glândula tireóide, estão dispostas de ambos os lados da traquéia. Sua função é a produção do hormônio do metabolismo que aparece sob duas formas. A L-tiroxina e a ainda mais eficaz tri-iodotironina consistem substancialmente de iodo e têm a função de mobilizar o metabolismo. Elas aumentam a vitalidade por mais tempo e de maneira mais duradoura que os hormônios de ação rápida produzidos pelas glândulas supra-renais, a adrenalina e a noradrenalina. Além do sistema circulatório, com a pressão sanguínea e a freqüência cardíaca, são estimuladas também as funções respiratórias e digestivas, a temperatura se eleva, aumentando também o metabolismo basal, a atividade nervosa e a excitabilidade muscular; enquanto o tempo de reação diminui, aumentam o estado de alerta e a velocidade de raciocínio.

Além disso, a glândula tireóide desempenha um papel decisivo nos processos de crescimento. Franz Alexander indica que, no processo de evolução, ela permitiu a passagem da água para a terra. É somente a partir dos anfíbios que os seres vivos têm glândulas tireóides. Aplicações experimentais de tiroxina no axolote Molchart mexicano propiciam a substituição da respiração branquial pela pulmonar, de maneira que os animais transformam-se de seres aquáticos em habitantes da terra firme. W. L. Brown chamou a tireóide de "glândula da criação". A tireóide conserva a relação com o mar até hoje por meio do iodo, que ocorre principalmente no mar e exclusivamente a partir do qual ela pode produzir seus hormônios. quando os seres humanos afastam-se muito do mar e, por exemplo, escalam montanhas distantes, passam a ter facilmente problemas de tireóide.

O significado dos hormônios da glândula tireóide para o amadurecimento humano é mostrado por sua carência, que provoca cretinismo e mixedema, onde o desenvolvimento corporal e espiritual ficam atrasados. As juntas de crescimento dos longos ossos das extremidades, por exemplo, somente se fecham tardiamente, o desenvolvimento da inteligência é prejudicado. Durante a fase de desenvolvimento, a tiroxina exerce efeitos análogos aos do hormônio de crescimento da hipófise.

O bócio

Quando o local de produção de substâncias metabólicas que contêm iodo aumenta de tamanho, está-se sofrendo necessariamente de uma elevada "falta de combustível". Com a expansão do local de fabricação localizado no pescoço, o organismo sinaliza aos afetados que eles não estão reconhecendo suas necessidades motrizes aumentadas. A fome de energia, atividade e mudança mergulhou na sombra. Esta fome de mais metabolismo relaciona-se em primeiro lugar com a energia da mudança, e só em seguida com a substância necessária. O bócio mais freqüente deve-se à carência de iodo na alimentação. Os afetados, em sua maioria aferrados a tradições rígidas, vivem em um ambiente que lhes oferece muito pouca energia e variedade. O bócio trai a fome relacionada a isso. Ele se desenvolve tanto com base em uma carência hormonal como no subfuncionamento. Através da formação do bócio, a tireóide consegue finalmente cobrir as necessidades metabólicas utilizando cada átomo de iodo.

Com o subfuncionamento, o bócio mostra igualmente o aumento da necessidade de combustível. A situação nesse ponto prossegue sua escalada quando, apesar do aumento do local de produção, essa necessidade não é coberta. Os pacientes tornam-se indolentes e gordos, não acontece mais nada (energeticamente) em suas vidas. Até mesmo a fome desaparece, já que falta a energia para fazer algo com o alimento.

Na hiperfunção da tireóide, os afetados sentem a fome de troca de substâncias (ou metabolismo) com um apetite verdadeiramente desenfreado. Eles podem comer ininterruptamente sem engordar porque seus corpos queimam as substâncias imediatamente. Seu pouco peso trai o fato de que eles não dão conta das exigências energéticas do corpo apesar de a tireóide ter formado um bócio. Eles comem e comem, e nunca é suficiente.

Correspondendo aos tipos de bócio, os problemas podem ser divididos em três grandes grupos, a hiperfunção, a hipofunção e a formação de bócio sem disfunção metabólica. Este bócio com valores normais de função glandular estava amplamente difundido em regiões onde se consumia sal pobre em iodo. Como variante inofensiva, ele não apresenta nenhum sintoma no que se refere ao metabolismo, somente seu tamanho exagerado do ponto de vista estético ou mecânico. A falta de iodo na alimentação faz com que a tireóide cresça o suficiente para poder utilizar cada mínima quantidade da preciosa substância que apareça. O efeito para fora mais importante que o bócio resultante exerce são problemas cosméticos, enquanto para dentro os pontos principais são, entre outros, soluços, falta de ar e problemas vocais.

O pescoço grosso dá a impressão de grosseria e relação com a terra, o contrário da elegância, ligada que está ao esguio pescoço do cisne. Quando o pescoço de alguém incha, ele acentua com isso o âmbito do incorporar e do possuir. Em alemão se fala popularmente de um "pescoço inchado" (Blähhals), referindo-se assim a uma pessoa presumida. Mas quem incorpora muito tem muito e, com isso, é importante ou, no mínimo, alguém de peso. Expressões em alemão tais como Gierhals [Gier = avidez / Hals = pescoço] enfatizam a incorporação, enquanto Geizhals e Geizkragen [Geiz = avareza / Kragen = colarinho] referem-se mais ao possuir. Trata-se evidentemente de pessoas que nunca colocam o suficiente goela abaixo e tendem a acumular. Quanto menos isso lhes é consciente, com mais clareza o ambiente o vê. Em todo caso, pode ser que a avidez de possuir esteja tão reprimida que ela também deixa de chamar a atenção dos que estão de fora. Não é somente a dimensão material que faz parte do tema "incorporar", tal como talvez seja aludido também pelo queixo duplo. Os pacientes de bócio também têm a tendência de embolsar algum em sentido figurado. Finalmente, o pescoço grosso sinaliza ainda a pouca mobilidade nesse âmbito, chegando até a deixar o pescoço duro, o que por sua vez atua negativamente na visão geral e no horizonte espiritual.

Em algumas regiões o bócio era algo tão normal que fazia parte da imagem da população rural. Evidentemente, um lenço enfeitado com jóias ao redor do pescoço fazia parte da vestimenta das camponesas. Assim como com os pelicanos, um bócio bem cheio simbolizava a bolsa recheada e altos rendimentos. Os afetados eram em sua maioria camponeses que viviam da própria terra e a quem condizia a impressão robusta e rude acentuada pelo bócio. Eram pessoas que carregavam seus bócios sobre os ombros com estabilidade, conservavam estritamente tradições que em parte remetiam à Idade Média e que não davam muito valor à ampliação de seu horizonte espiritual ou até mesmo a mudanças em seu modo de vida. A enormidade de sua imobilidade conservadora e de seus esforços para a obtenção de posses era em geral inconsciente e ocultava-se por trás da religiosidade. Mas quão significativo era o possuir e o papel destacado que os valores tradicionais desempenhavam são mostrados pelas peças de teatro correspondentes, que quase sem exceção tratavam desse assunto. Não se trata somente das filhas, mas sempre do dote também, que muitas vezes revelava o caráter de veneno juntamente com o de presente. Além disso, a maior parte gira em tomo do princípio "Isso sempre foi assim". Somava-se a isso o isolamento das regiões afetadas, que favorecia a falta de atividade e mudança.

Com a introdução do sal de cozinha iodado e a adição de iodo na água potável, esse tipo de bócio regrediu notavelmente, embora naturalmente o tema não fosse eliminado com isso. Ele então precisou buscar outros meios (de expressão). De qualquer forma, o isolamento original e a imutável monotonia das regiões camponesas foi sendo perdida nas gerações seguintes com a abertura para a cultura da cidade que ocorreu ao longo do tempo, e com isso foi desaparecendo também a predominância da postura anímica básica.

O bócio externo, com muita freqüência, simboliza exigências de posse e poder não admitidas. Os afetados "exibem" aquilo que têm, como bem sabe a sabedoria popular. O bócio voltado para dentro está mais escondido e é, por essa razão, mais problemático. A temática de fundo, naturalmente, é semelhante, só que aqui tudo é engolido e ocultado do ambiente. Isso dá uma impressão melhor para fora, e por essa razão a impressão para dentro é tanto mais perigosa.

Aqui, o tema da cobiça está metido mais profundamente no inconsciente e provoca problemas correspondentemente mais profundos. Esse tipo não admitido para si mesmo de açambarcar e arrebatar pode impedir a respiração e, com isso, o intercâmbio e a comunicação. Muitas vezes, o bócio que cresce para dentro pode dificultar também a deglutição, mostrando como continuar a engolir pode ser doloroso e opressivo. Caso a opressão atinja também a laringe, a voz pode ser afetada e adquirir um timbre rouco, de grasnido. Por um lado os afetados soam como abutres, por outro, como se estivessem sufocando, e assim é em certo sentido. Eles ameaçam sufocar de cobiça.

Neste contexto, uma imagem de conto de fadas nos é dada pela Gata Borralheira e os pombos que vêm em seu socorro. Eles transformam em seu contrário aquilo que foi dito até então. Segundo o lema "O bom na panelinha, o ruim no papinho", diferencia-se cuidadosamente o que deve ser atribuído ao mundo e o que deve ser guardado para si mesmo. Naturalmente, não pode ser muito saudável colocar tudo o que é bom e assimilável para fora e guardar para si mesmo e engolir tudo o que é ruim e não pode ser assimilado.

Na introdução ao pescoço, este foi reconhecido como sendo o lar da angústia. Naturalmente, esse tema é declarado por um bócio que ameaça fechar a garganta de uma pessoa. Sendo um dos dois pontos de bloqueio mais importantes do corpo, o pescoço é um lugar que se tende a trancar com um ferrolho. Permitir o crescimento de um bócio torna-se então, também, uma possibilidade de isolar a cabeça do corpo.

Perguntas

1.    Vivo em um ambiente que proporciona poucos estímulos à minha vivacidade?
2.    Exagero o tema "posse"? Deixo minhas posses expostas? Já tenho minhas posses penduradas no pescoço?
3.    Faço a mim mesmo coisas que me incham e que me impedem de participar da vivacidade mutante da vida?
4.    Como ando com o tema-peso (importância)? Sinto-me importante ou preciso fazer-me de importante?
5.    Escondo muita coisa? Coisas valiosas? Valores? Coisas desagradáveis?
6.    Açambarco sem deixar que os outros percebam (bócio interno)? Faço-o para não ter de renunciar a nada ou por vergonha?
7.    Aquilo que açambarco molda a minha vida?
8.    Eu me tranco no pescoço e separo minha cabeça do corpo, meus pensamentos de meus sentimentos?



(Trecho retirado do livro "A Doença como Linguagem da Alma" de Rüdger Dahlke.)

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