quarta-feira, 15 de maio de 2013

QUEDA DE CABELO


Quando as antenas tão cheias de significado, adornos valiosos, símbolos de poder, liberdade e vitalidade são perdidas através da vil sintomática da queda de cabelos, deve-se pensar em todos os temes citados acima. Além disso, somam-se a eles todas as situações nas quais é preciso sacrificar algo [Haare larsen = deixar cabelos]. Caso se deixe de notar a necessidade de uma mudança anímico-espiritual, o organismo é forçado a incorporar o tema substitutivamente. Como os cabelos são apêndices da pele, neste contexto seria o caso de se pensar também no simbolismo da muda, especialmente se queda de cabelos vem acompanhada da formação de caspa. A serpente abandona sua pele velha quando está madura para uma nova. Portanto, coloca-se a seguinte questão: Será que eu negligenciei despir minha velha pele e permitir o crescimento de uma nova?

Expressões tais como "deixar cabelos" ou "penas" [ver acima: Haare Iarsen] e “sentir-se depenado" dão a entender que foi preciso pagar algo, ou seja, fazer um sacrifício que não se queria fazer de livre e espontânea vontade. Não se saiu ileso dessa situação, mas bastante depenado e vulnerável. Aqui surge a questão: Onde e quando eu deixei de pagar, ou seja, de lazer o sacrifício necessário?

A tarefa de aprendizado oculta sob este aspecto da queda de cabelos é, conseqüentemente, livrar-se de maneira consciente daquilo que é velho e que foi superado pelo tempo para abrir espaço para o novo. Trata-se essencialmente de dar esse passo de maneira consciente, para assim liberar o corpo da tarefa substitutiva de desprendimento. Além disso, impõe-se a indicação de que muito pouco novo volta a crescer. A queda total exige que se livre radicalmente, realmente até as raízes (dos cabelos), dos velhos temas já superados.

A outra possibilidade é admitir e aceitar a perda de liberdade que se instaurou. O corpo então tampouco irá apresentar o tema novamente sobre o travesseiro a cada manhã. Quem entende que sua liberdade consiste em fazer conscientemente e de livre e espontânea vontade aquilo que deve ser feito não precisa temer por seus símbolos de liberdade. Isso é especialmente importante em perdas de liberdade inevitáveis tais como, por exemplo, o tornar-se adulto. Pacientes.que começam a perder cabelos já na adolescência demonstram que não estão suficientemente conciliados com o fato de tornar-se adultos. A careca precoce, portanto, mostra um rosto duplo. Por um lado os afetados, externamente, parecem precocemente "envelhecidos”, já que a careca é um sinal dos anos “maduros". Por outro lado, um olhar treinado simbolicamente reconhece também a falta de cabelos do recém-nascido, especialmente se em vez de voltarem a crescer novos cabelos, forma-se uma suave pelugem A expressão "careca como a bunda de um bebê" traz à tona esse duplo aspecto. Quando a careca já emite reflexos, a solução está então no amadurecimento anímico-espiritual. Nunca é tarde demais para livrar-se da pelugem da infância, ou seja, de redescobrir o próprio infantilismo em um nível mais elevado.

Outras épocas típicas para a queda de cabelos são o período que antecede o matrimônio, antes de assumir um posto fixo, antes de uma nomeação, etc. Aqui deve-se pensar no mesmo principio: não é a desistência consciente da liberdade e da independência que colocam em perigo os adornos da cabeça masculina mas, em determinadas circunstâncias, a inconsciência que a acompanha e a tentativa de não pagar pelas vantagens que são reivindicadas. Quem se torna funcionário público com intenção e paixão e, por isso, abdica de bom grado de determinadas liberdades, tem seus cabelos seguros. Muito mais ameaçado esta quem se sente artista e sonha sonhos de alto vôo mas, devido ao medo não admitido que sente diante da existência, entra para o funcionalismo público. É preciso pagar por um tal passo em falso, por exemplo, sendo simbolicamente depenado.

As mudanças no crescimento dos cabelos durante a gravidez e após o nascimento iluminam o mesmo tema a partir de um outro ponto de vista. Muitas mulheres obtêm um cabelo denso e vital durante a gravidez, mas algumas voltam a perder esse acréscimo logo após o nascimento. O aspecto do sacrifício é nítido no nascimento. Para presentear uma criança com a vida a mulher precisa separar-se dela, e ela além disso dá um presente, ou seja, ela dá algo de si mesma. Uma forte queda de cabelos após o nascimento ocorre especialmente com mulheres que têm problemas com o desempenho do papel de mãe e seu aspecto de sacrifício. Por um lado, elas levam para a cabeça o sacrifício que não foi feito espontaneamente, e por outro elas também vivem no corpo o aspecto de transformação que suas vidas devem sofrer após o nascimento da criança.

Na queda de cabelos circular, a chamada Alopecia areata, trata-se da mes­ma temática referindo-se a um âmbito mais circunscrito. A tarefa aqui é descobrir esse âmbito restringido, livrar-se de estruturas superadas e permitir que um novo impulso surja em seu lugar.

Deve-se fazer uma distinção com a queda dos cabelos masculinos naquele lugar típico que lembra a tonsura de um 

monge. Será que se trata de aproximar-se do arquétipo do monge, que com a ajuda da sua tonsura no lugar do chakra superior tenta sinalizar para o alto? Será que há aqui um convite para fazer como o monge e livrar-se tendenciosamente do mundo exterior para abrir-se mais para os mundos superiores?

As chamadas "entradas" dão a entender algo semelhante ao conferir uma fronte de pensador e, assim, acentuar o aspecto filosófico do homem. Neste caso também pode-se apenas presumir se algo que foi negligenciado do ponto de vista anímico-espiritual é expresso no plano corporal, ou se a fronte de pensador distingue o pensador.

Perguntas

1.    Estou me punindo por algo, ou eu me deixo punir?
2.    Estou sacrificando meus cabelos, sinal de meu poder e de minha dignidade, em penitência? Em caso afirmativo, para quê?
3.    Esqueci de pagar pela liberdade, dignidade e poder desfrutados?
4.    Onde fiquei pendente de concepções de liberdade infantis e imaturas?
5.    Será que negligenciei desfazer-me de velhas estruturas de poder já caducas?
6.    Será que eu quis fazer perdurar por demasiado tempo estruturas de dignidade e consideração já superadas?
7     Será que ao aferrar-me a velhas estruturas eu, sem perceber, perdi a liberdade real, o verdadeiro poder e a correspondente dignidade?
8.    Onde foi que eu deixei de permitir que novos impulsos e novas energias fossem injetados em minha vida?

(Trecho retirado do livro "A Doença como Linguagem da Alma" de Rüdger Dahlke.)


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